Efrain Almeida
Moacir dos Anjos
Imbuídas de um sentido lírico, as esculturas de Efrain Almeida tratam de forma sutil e silenciosa questões relacionadas ao corpo, à sexualidade e à religião. Este livro monográfico percorre mais de vinte anos da carreira do artista, com foco principal na exposição Marcas, realizada em 2007 na Pinacoteca do Estado de São Paulo. Permeado das referências regionais e religiosas de sua vivência do Nordeste, o livro evidencia a importância das imagens da natureza, do universo mitológico e da cultura popular na criação do artista. O ensaio crítico de Moacir dos Anjos, curador da 29ª Bienal de São Paulo, propõe uma interpretação que alia ao imaginário do artista a força autobiográfica da obra, sem rejeitar a técnica do artesanato em madeira e tecido e o uso do espaço expositivo como elemento formal significativo da obra. Com imagens de vistas gerais e também detalhes minuciosos, esta edição bilíngue possibilita uma compreensão profunda da obra de um dos artistas mais importantes da cena contemporânea.
Veja mais...
> Trecho do Livro
> Galeria de Imagens
Trecho do Livro
Trechos do livro Efrain Almeida
O interesse em dissolver os limites que separam campos simbólicos distintos aparece ainda em instalações e esculturas em que Efrain Almeida toma os olhos como signos de um corpo que não se resigna ao que lhe é imposto.
O caráter autobiográfico da obra de Efrain Almeida não se resume, contudo, ao fato de universalizar, em seus trabalhos, questões que são pertinentes ao seu percurso de vida ou ao de permitir que momentos vividos transbordem do campo movente das lembranças para o espaço reclamado como o da produção artística. Em cada uma de suas peças existe um envolvimento imediato e próximo com o próprio corpo, evidenciado desde logo nas formas esculpidas e pintadas, cujo modelo primário é o artista.
Entranhados quase sempre em esculturas e aquarelas, os rastros simbólicos do corpo do artista comentam – por empatia ou repúdio – as trajetórias de vida de outros corpos, produzindo um conhecimento sobre todos que antes não havia. Ao mesmo tempo singulares e imbuídos de finalidade similar, seus objetos e imagens são representações de um corpo em movimento que articula e ata lugares, tempos, raças, sexos e crenças em que se movem e se mostram outros corpos, sem que se confundam por isso em um único organismo. Suas esculturas e aquarelas dão notícias, de fato, de uma comunidade de corpos invioláveis e estrangeiros que se reconhecem, entretanto, na partilha de uma presença ambígua no mundo que habitam e fazem.